Começam neste mês de junho as vendas do Chevrolet Sonic,
primeiro automóvel trazido da Coreia do Sul pela General Motors do Brasil. O
carro é feito na fábrica de Bupyong-Gu, em Incheon. O modelo vem em duas
versões de acabamento, LT e LTZ, e duas carrocerias, hatch e sedã. O motor é o
Ecotec 1.6 16V, que produz até 120 cavalos quando abastecido com etanol. A
transmissão pode ser manual de cinco marchas ou automática, com seis.
Os preços, ainda estimados, estarão entre R$ 48,5 mil e R$
59 mil para o hatchback e entre R$ 51,5 mil e R$ 62 mil para o três-volumes.
Por causa de seu porte e faixa de preço, o Sonic deve brigar com os nacionais
Honda Fit e City e com os mexicanos New Fiesta hatch e sedã. É do México,
aliás, que o Sonic passará a ser importado até o fim do ano, o que em tese
favoreceria a redução do preço ao consumidor, mas a GM não admite essa
possibilidade: “Seria pouco sério baixar o preço quatro ou cinco meses depois
do lançamento”, afirma o diretor de marketing, Gustavo Colossi.
Ele também descarta a produção do carro no Brasil: “Seria
preciso fazer grandes modificações em uma fábrica, por isso a vinda do México
será um caminho natural.” Automotive Business também ouviu o vice-presidente da
GM do Brasil, Marcos Munhoz. Antes de falar sobre a rentabilidade dos primeiros
carros que estão vindo da Coreia do Sul, ele faz uma pausa, reflete e franze a
testa: “É, o dólar estava a R$ 1,60 quando surgiu a intenção de importá-lo”,
disse-nos o executivo na metade de maio, quando a moeda americana começava a
beirar os R$ 2.
De acordo com pesquisas de mercado realizadas pela GM, 51%
dos futuros consumidores do Sonic são solteiros, 62% não têm filhos. Em regra,
não têm preocupações financeiras. “Muitos deles terminavam a faculdade quando a
economia brasileira começava a ficar estável”, diz Colossi (o real entrou em vigor
em 1994).
“Esses compradores procuram satisfazer suas necessidades com
algo diferente”, afirma. Também são grandes usuários de internet: “Eles
utilizam bem mais a rede do que a média da população e confiam muito em sites,
blogs; são usuários de smartphones e tablets." Para atrair esses
compradores “antenados”, o Sonic tem porta-luvas com entrada USB integrada e os
dispositivos ali instalados podem ser operados pelo sistema de som. O desenho
interior tem detalhes bem diferentes, como o painel, inspirado no de
motocicletas atuais, em que o conta-giros é analógico e o velocímetro, digital.
O carro tem ainda 14 porta-objetos.
Sem estabelecer proporções, a GM acredita que o modelo terá
mais compradores do sexo masculino. “O Honda Fit atrai maior porcentagem de
mulheres. Já O Sonic hatch deve atrair mais homens. O sedã também,
especialmente jovens executivos. A General Motors acredita em vendas mensais de
1,2 mil unidades, 60% delas para o hatch. As unidades automáticas também devem
atingir 60% das vendas.
O motor 1.6 flex do Sonic produz até 120 cv quando
abastecido com etanol. Interior é espaçoso e foi pensado para o público jovem.
Painel lembra o das motos atuais. Porta-luvas tem entrada USB.
O Sonic é vendido em mais de cem mercados e também utiliza o
nome Aveo. Foi criado pelo estúdio de design da Coreia do Sul, mas teve a
participação da engenharia da General Motors do Brasil. Durante seu
desenvolvimento, engenheiros rodaram 1,7 milhão de quilômetros em 360
protótipos. Para o Brasil, o carro recebeu modificações em freios, direção e
suspensão, além da adequação do motor para utilizar etanol ou gasolina em
qualquer proporção. Segundo a GM, o reservatório de gasolina para partida a
frio (tanquinho) é o único componente brasileiro instalado no carro. Moderno, o
1.6 Ecotec tem recursos que favorecem ora a força disponível em rotação baixa,
ora a potência em alta. São eles o duplo comando de válvulas com variadores de
fase controlados eletronicamente e o coletor de admissão variável.
O interior bem desenhado garante posição de dirigir
agradável e o desempenho propiciado pelo motor Ecotec 1.6 deve atender a
maioria de seus compradores. As suspensões têm bom acerto e transmitem
segurança em situações críticas como curvas fechadas e piso ondulado,
irregular. A transmissão automática permite trocas sequenciais por um botão à
esquerda da alavanca. Não há opção por borboletas atrás do volante.
A distância entre eixos de 2,5 metros é a mesma para as duas
carrocerias e garante bom espaço interno. O porta-malas do sedã comporta 477
litros e atende o uso familiar. O do hatch leva 265 litros, apenas cinco litros
a mais que o do Chevrolet Celta, menor Chevrolet à venda no Brasil. Ambos os
Sonic têm banco traseiro rebatível.
Por MÁRIO CURCIO
Fonte - Automotive Business